Em Bauru, ABDA oferece vagas com equipe especializada para a prática que amplia autonomia e melhora a saúde
A natação é um dos esportes que agregam mais benefícios para o desenvolvimento corporal e pode ser praticada desde os primeiros meses de vida. Para pessoas com Síndrome de Down, esse esporte traz ainda mais benefícios, como o fortalecimento muscular e a melhora na coordenação motora. Com apoio da família e de profissionais especializados, é possível obter uma melhor qualidade de vida e até se profissionalizar.
Campeonatos e competições têm mostrado que as pessoas com Síndrome de Down podem obter muitas conquistas na natação. Em Bauru, a Associação Bauruense de Desportes Aquáticos (ABDA), entidade sem fins lucrativos, mantém uma equipe de natação paralímpica. ?Hoje, temos 62 inscritos na natação paralímpica da ABDA, sendo 9 Down. Temos mais 20 vagas abertas para novos alunos Down, de manhã e à tarde. Trabalhamos aulas em grupo com equipe especializada para atender às necessidades dos alunos?, conta a técnica Rayssa Cappelin.
As pessoas com síndrome de Down nascem com algumas características específicas, como a hipotonia (baixa tonicidade muscular). A natação é uma ótima atividade de recreação que desenvolve a coordenação, o trabalho muscular e possibilita amplitude de movimentação das articulações de todo o corpo.
Além disso, nadar fortalece a musculatura cardíaca e o sistema locomotor. A respiração exigida durante a prática do esporte auxilia ainda no combate às doenças do sistema respiratório, do coração e do sistema circulatório. ?Temos também os benefícios nos aspectos psicológicos e sociais, incluindo a elevação de autoestima e alivio dos níveis de stress?, afirmar Maria Inês Garcia Ishikawa, professora de educação física da Apae Bauru.

A IAA é um termo usado quando existe um aumento no espaço da coluna cervical ao nível de 1ª vértebra (atlas) e 2ª vértebra (axial). ?Nas pessoas com Síndrome de Down, pode ser causada pela hipotonia músculo ligamentar e 10% destes indivíduos podem apresentar essa instabilidade?, esclarece Maria Inês.
Para tirar essa dúvida, basta um simples exame de raio X feito em três posições (flexão, extensão e neutra). Apenas em caso de dúvidas, são necessários exames complementares, como a tomografia computadorizada e a mielografia. ?Caso seja detectada a IAA, a criança não poderá realizar a atividade aquática uma vez que alguns movimentos bruscos de pescoço podem ocorrer no mergulho? alerta.
Liberado ? Realizadas as avaliações médicas e liberada a prática da natação, é só vestir o maiô ou sunga e caprichar nas braçadas. É o que Laura Inoue, de 17 anos, faz toda semana, desde 2016 na ABDA. Antes, ela já praticava atividades físicas regularmente, como basquete, kung-fu e ginastica multifuncional. ?A natação ela pratica desde os 2 anos. Sempre foi uma criança muito ativa?, conta a mãe Dilza Inoue, que afirma nunca ter tido receio de colocar a filha na natação. ?Como a grande maioria das crianças com Down, Laura demorou um pouco para andar, apenas com 2 anos. Logo que firmou os passinhos, a fisioterapeuta deu alta com indicação de que iniciasse natação?, relembra.
Além disso, aprender a nadar foi uma decisão voltada para a segurança, já que na casa das avós da Laura há uma piscina. ?A natação contribuiu muito para maior autonomia da Laura. Primeiro por aprender a nadar, ficar independente em uma piscina e isso traz tranquilidade para qualquer pai. Depois também por ser responsável por seus pertences em um local onde existem muitos alunos e ter preocupação com os horários, sair em viagem apenas com a equipe. Nosso objetivo é que ela tivesse sempre muita autonomia?, diz a mãe.

A rotina de disciplina é algo constante e importante para os alunos. ?A rotina da Laura é bem puxada. Ela estuda de manhã, no 3º ano do ensino médio e tem aula também à tarde, de segunda a quarta até 16h30. Na quarta-feira, ela sai da escola e vai para a fonoaudióloga. Quinta-feira à tarde, ela tem aula de apoio com a pedagoga da escola. Por conta dessa rotina, ela passou a fazer natação apenas na sexta-feira. Até o ano passado, ela fazia 3 vezes na semana?, diz a mãe da atleta.
Estímulo - Maria Inês Garcia Ishikawa, da Apae Bauru, avalia como positiva a competitividade na natação, que já tem até uma classe especial voltada para Down. ?É uma forma do atleta com Síndrome de Down, demonstrar a sua potencialidade, ter estimulo para melhorar sua performance, ampliar suas perspectivas individuais e coletivas por meio de metas e objetivos traçados pelo técnico, além de explorar as vivências de vitórias e derrotas nesta modalidade?, explica.
Uma característica da criança Down é a hipotonia muscular acentuada, que melhora sensivelmente com a prática da natação. ?Percebo sem dúvida alguma que a natação favoreceu o ganho desse tônus e a força muscular aumentou bastante para a Laura?, comemora a mãe da atleta da ABDA.
Para os pais que ainda têm receio de colocar o filho com Síndrome de Down na natação, Dilza Inoue tranquiliza: ?a natação em princípio é muito lúdica e prazerosa para a criança?. ?A natação traz benéficos notáveis no desenvolvimento cognitivo, afetivo, emocional e social, trabalha capacidades e limitações, possibilitando à pessoa com deficiência demonstrar suas habilidades e aptidões, vivenciando o direito de praticar o esporte com dignidade e respeito?, complementa a professora da Apae.
Mais informações sobre vagas na natação paralímpica podem ser obtidas pelo telefone (14) 3202-9259 (segunda à sexta-feira, das 8h às 17h) ou pessoalmente na Arena ABDA, à rua Fábio Geraldo, 3-50, Terra Branca, Bauru (SP).