Profissional dá dicas para cuidar da audição e alerta atletas que passam longo tempo na piscina

Embora a deficiência auditiva tenha uma forte relação com a idade, não é apenas esse fator que contribui para que surja esse tipo de problema. O uso prolongado e com volume excessivo de fones de ouvido é outra situação que pode comprometer a audição.

Devido ao contato prolongado com a água, nadadores precisam tomar ainda mais cuidados no dia a dia e fazer acompanhamento periódico para garantir a saúde dos ouvidos. É o que recomenda Dayse Mayara Oliveira Ferreira, fonoaudióloga da Audiocamp Aparelhos Auditivos. A empresa acaba de fechar parceria com a Associação Bauruense de Desportes Aquáticos (ABDA) e oferecerá exames auditivos preventivos gratuitamente aos atletas e funcionários da entidade.

Após a avaliação gratuita, mediante agendamento prévio pelo telefone (14) 3245 7111 da Audiocamp, os tratamentos necessários deverão ser custeados pelo próprio atleta ou funcionário. Nos casos de necessidade do uso de aparelhos e acessórios, eles seguirão uma tabela de descontos exclusivos à ABDA. Confira a seguir a entrevista com a fonoaudióloga da Audiocamp:

 

1 – Quais os principais problemas auditivos, principalmente para quem passa longo tempo em piscinas?

As principais alterações auditivas em crianças e atletas nadadores são as otites. A otite externa é um problema de ouvido tão comum entre os nadadores que é também chamada de “otite dos nadadores”. É uma infecção da pele do canal do ouvido causada por vários tipos de germes ou fungos. Na maior parte das vezes, estes penetram através de lesões na pele que recobre a orelha externa, provocadas por objetos (cotonetes, grampos, por exemplo), por atritos ao coçar e secar o ouvido e pelo contato com água contaminada (mar, piscina, banhos). Já otite média crônica apresenta histórico prévio de episódios repetidos de saída de secreção pelo ouvido, normalmente não acompanhados de dor ou febre, que se iniciam com entrada de água no conduto ou quadro de infecção de vias aéreas superiores, podendo haver perda de audição. Nesse caso, a perfuração da membrana timpânica dificilmente fechará espontaneamente devido ao tempo de evolução da doença, que é mais longo, existindo possibilidade de realização de cirurgia para fechamento.

2 – E como é possível prevenir esses problemas?

Para prevenir, há necessidade constante de proteção dos ouvidos contra a água. Recomenda-se a utilização de protetores auriculares. Além disso, deve-se secar o ouvido com toalha macia, evitando o uso de cotonetes no canal auditivo. Eles retiram ou empurram a cera para o fundo.  Durante o tratamento, deve-se evitar exposição à água.

3 – O uso de fones acarreta algum problema à audição?

Além das otites, um problema crescente em jovens é a exposição a níveis elevados sonoros em virtude do uso frequente de fones de ouvido. Embora a deficiência auditiva tenha uma forte relação com a idade, especialistas estão preocupados com a perda de audição entre os jovens.  A poluição sonora, gerada especialmente por equipamentos de som, está entre um dos principais vilões para a audição dos jovens entre 16 e 24 anos de idade, principalmente os fones de ouvidos, muito utilizados por pessoas nessa faixa etária. O uso diário não é problema, mas há o exagero no volume.

4 – Por que é importante realizar exames auditivos preventivos?

Embora muito negligenciado pela maioria das pessoas, o exame auditivo é muito importante para garantir o bem-estar e qualidade de vida do indivíduo. Isso porque a perda da audição acontece gradativamente e, por isso, nem sempre o indivíduo se dá conta de que está com dificuldades para ouvir, visto que em determinadas situações de sua rotina se tornam normais, como pedir para as pessoas repetirem o que falaram, assistir a TV com o volume alto e outras circunstâncias que poderiam eventualmente apontar uma deficiência auditiva. Em alguns casos, a dificuldade de ouvir não está diretamente ligada à perda de audição obviamente. Mesmo assim é preciso estar atento e realizar um check-up para se certificar de que a sua audição está saudável.  Além disso, o exame auditivo irá identificar se há perda de audição ou não, bem como se o paciente precisará fazer uso do aparelho auditivo ou não e qual aparelho é o mais adequado. Cabe ressaltar que os exames auditivos também ajudam a levantar o diagnóstico precoce e o prognóstico, tendo em vista que muitos fatores podem contribuir para a perda auditiva. Dessa forma, é possível sugerir medidas preventivas para evitar o agravamento da perda de audição.

5 – Problemas nos ouvidos podem comprometer a rotina dos atletas?

Para atletas que passam extensas horas na piscina é importante o acompanhamento, principalmente atletas com histórico de otite, visto que podem haver recidivas. É de suma importância o acompanhamento médico, bem como o exame auditivo anual. É muito comum nadadores apresentarem otalgia (dor de ouvido), que pode apresentar desde simples hipersensibilidade à água fria da piscina até infecções e outras doenças otológicas mais complexas. Não importa o nível do atleta, a otalgia pode acontecer com qualquer um. Em setembro de 2012, o nadador francês Camille Lacourt, campeão mundial dos 100m costas, não pôde competir no evento Raia Rápida, realizado no Rio de Janeiro, devido a fortes dores no ouvido.

6 – Quais os cuidados que nadadores devem ter ao notar algum problema?

O contato frequente com a água pode facilitar a remoção da cera que serve de proteção para o canal auditivo. Ocorre então otalgia de forte intensidade, precedida ou acompanhada de coceira, podendo ou não ter saída de secreção e sensação de ouvido tampado. Quando a infecção se torna crônica, ocorrem episódios agudos recorrentes, coceira irritante e descamações da pele do canal. Quando o atleta é diagnosticado com otite é muito importante o afastamento temporário das piscinas/mar durante o tratamento até que ocorra o fechamento da perfuração para que a infecção não se cronifique. O uso de tampões de silicone que vedem completamente o conduto pode ser uma opção. Tratamento adequado de gripes e resfriados previne a evolução do quadro para otite média aguda.

7 – Qual a periodicidade recomendada para os exames preventivos?

O ideal é fazer o exame auditivo, pelo menos, uma vez por ano. Com esse monitoramento, será possível identificar eventuais problemas e iniciar o tratamento imediatamente. Como a perda de audição é um problema silencioso, a maioria das pessoas não percebe que precisam de ajuda. Por isso, o check-up é fundamental. Em casos de indivíduos que tenham apresentado otites é importante realizar acompanhamento com o médico otorrinolaringologista, verificando se ainda há infecção ou não, bem como o tratamento adequado, além de realizar o exame auditivo.

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