Atleta da ABDA é um dos maiores exemplos de que treinar com persistência, humildade e fé resulta em grandes conquistas

Sophia Ferreira Dela Coleta iniciou na natação aos 3 anos para melhora da bronquite. Aos 9, entrou para a Associação Bauruense de Desportes Aquáticos (ABDA). No início, não gostava de treinar, mas soube fazer de um episódio triste a mola propulsora para grandes conquistas.

Hoje, a nadadora de 14 anos tem 233 medalhas e bateu diversos recordes. Acabou de voltar dos Jogos Sul-Americanos Escolares no Paraguai, onde foi campeã nos 100m, 400m e revezamento 4x50m livre. “Fiquei muito feliz e surpresa com minha primeira convocação para a seleção. Foi importante conversar com técnicos diferentes, conhecer os treinamentos”, conta com jeito tímido. O maior objetivo da atleta é chegar às Olimpíadas. “Mas, sei que ainda tenho que treinar muito.” Confira um bate-papo com a campeã, que nasceu em Boston (EUA), mas veio para Bauru com um ano de idade e é bauruense de coração.

Atleta trouxe 3 medalhas de ouro dos Jogos Sul-Americanos Escolares no Paraguai

Atleta trouxe 3 medalhas de ouro dos Jogos Sul-Americanos Escolares no Paraguai 2019

Como foi o início da carreira?

Sophia Coleta – Comecei a nadar aos 3 anos em academia para melhorar da bronquite. Na ABDA, comecei a treinar aos 9 anos, mas não gostava. No início do ano como mirim 2, não levei a sério. No final do ano, atletas que foram em todas as competições ganharam um troféu e eu não ganhei. Fiquei muito chateada, chorei. Meu pai disse que se eu quisesse troféu teria que me dedicar. No ano seguinte, como petiz, comecei a melhorar. Já pensei em desistir, mas paro e penso ‘eu sou muito jovem, não tenho porque desistir’. Ano passado, nadei muito mal em uma competição e fiquei desanimada. Refleti e levei isso como motivação.

Quantas medalhas você tem? Qual a mais marcante?

Sophia Coleta – Tenho 233 medalhas. Das mais importantes (Brasileiro, Paulista, Sul-Americano), que comecei a ganhar aos 11 anos, tenho umas 50. No final do ano de petiz1, vieram meus primeiros recordes. É uma sensação indescritível, por mais que seja apenas um momento. Tenho também uns 10 troféus de índice técnico. Fiquei muito feliz no Chico Piscina de 2019, quando ganhei os 400m livre. No ano anterior, por nervosismo, não peguei nem final e eu tinha tempo para medalha. Todas as provas são importantes, mas os 200 e 400m sempre foram minhas principais. Em 2020, mudo para a categoria juvenil, espero que seja um ano ainda melhor.

Como é a sua rotina?

Sophia Coleta – Gosto de dormir umas 22h, estar descansada é importante para treinar bem. De manhã vou para a escola, almoço em casa e, à tarde, venho para a ABDA. Faço uma hora de físico e na piscina entre uma e meia e duas horas de treino, de segunda a sábado. Aos domingos, gosto de ficar em casa e sair com amigos. Sou filha única e desde sempre meus pais me apoiaram. Na ABDA, comecei a seguir dieta e eles seguem comigo. Faz toda diferença. No começo, tive um pouco de dificuldade, mas agora sei que aos finais de semana posso comer algo diferente.

Sophia começou a nadar para melhorar a saúde e se transformou numa demolidora de recordes

Sophia começou a nadar para melhorar a saúde e se transformou numa demolidora de recordes

Como é o relacionamento com a equipe?

Sophia Coleta – Desde sempre, vi que a ABDA é muito unida e gosto disso. Mudamos de categoria e mesmo assim a gente se dá bem com todos. É importante viajar com uma equipe junto, torcendo. Às vezes, noto alguns atletas mais novos me olhando e comentando. Outro dia, fizemos uma reunião com eles para trocar experiências. É importante essa relação. Os técnicos ajudam muito, são amigos, não apenas passam treinos.

Pretende cursar faculdade?

Sophia Coleta – Terminei o nono ano. Quero continuar nadando, mas sei que atleta aposenta cedo. Uma faculdade que quero fazer com certeza é Educação Física. Não sei ainda se vou fazer outra, mas penso nisso. É importante estudar, ter uma profissão.

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